uma das marcas do grão-mala ou "afe!, não su-por-to carnaval!!!"

sei que já fui culpado disso diversas vezes, mas é fato:

se você faz questão de se manifestar explicita e abertamente contra a corrente e se gaba em voz alta de odiar/não praticar/ignorar qualquer coisa que a grande maioria da população adora/pratica/observa, então você é um grão-mala.

não, não estou dizendo que você seja obrigado a celebrar o dia dos namorados (essa festa do consumismo hipócrita!) ou que você não tem direito de não gostar de michel teló (você tem direito a gostar de não gostar de qualquer coisa) ou, mais ainda, que você não tem direito de explicitar e articular seus gostos (como bater o punho na mesa e falar com orgulho que não tem tv em casa).

mas estou dizendo o seguinte:

se no meio da turma toda celebrando, planejando, curtindo o natal, você começa a expor seu ateísmo dawkiniano, lembra que de acordo com evidências internas da bíblia jesus teria nascido em setembro e ensina que a data atual é apenas para coincidir com o festival apolíneo romano, bem, sinto muito, colega, você tem todo o direito de falar tudo isso mas todos nós temos todo o direito de te considerar um grão-mala.

e sim, sei que já fiz muito isso. estou tentando parar. mas é como o cigarro, um dia de cada vez.

"eu, alex castro, estou no segundo dia do carnaval 2012 e ainda não esnobei o carnaval nenhuma vez"

e todos aplaudem, mas cautelosos, sabendo que ainda falta muita serpetina até quarta.

Grandes lançamentos com 30% de desconto Das páginas para o cinema com 70% de desconto Os livros mais vendidos de medicina com 50% de desconto

 

19.02.12


Categorias: Comportamento, Egotrip
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Meus dezoito anos

Hoje, faz vinte anos que fiz dezoito anos.

Um leitor, de dezoito anos, me mandou o seguinte email:

Queria saber como foram os teus 18 anos. O que tu pensava da vida, o que fazia, tua vida social... se puder escrever um bocado, com detalhes como numero de mulheres comidas/mês, número de livros lidos/mês e outros detalhes do tipo eu aceitaria de bom grado!

Achei engraçado tentar lembrar dos meus dezoito anos.

* * *

Nos meus dezoito anos, pra começar, eu não comi ninguém, não beijei ninguém, e nem mesmo pensei no assunto. Simplesmente não era uma das minhas preocupações. Só perdi a virgindade e dei o primeiro beijo no ano seguinte.

Na primeira metade do ano, eu era presidente do grêmio, o que quer dizer escrever um artigo mensal pro jornal oficial da escola, comparecer às reuniões do Conselho, falar em eventos festivos e presidir uma reunião semanal, em inglês, para todos os representantes de todas as turmas e para quem mais quisesse vir, de acordo com os parliamentary rules of procedures, que eu tive que decorar, coisas como the president of the senior class has the floor, you're out of order, etc.

Na segunda metade, fui tesoureiro da minha turma e gerente da lanchonete da escola. Essa lanchonete era a única fonte de renda da turma para fazer a festa de formatura. Se a lanchonete não desse lucro, não tinha festa. Se desse pouco, tinha uma festa mixuruca. E a responsabilidade era minha. Então, era só nisso que eu pensava, lucro, receitas, politicagens, mudanças no menu, aumento de preço, encomendas de material, já chegou o cara do Sadia?, precisa encomendar mais picolé?, será que o queijo ainda dura até semana que vem?, Alexandre, vem assinar o recebimento da entrega da Elma Chips, e também as escalas de serviço, todos os alunos tinham que trabalhar na lanchonete, quem é que tinha que estar na caixa registradora agora?!, vai achar fulano pra vir me substituir que eu tenho que ir pra aula, e esse menino está reclamando que o hamburger dele está mal-passado, passa de novo.

(Logo depois disso, eu virei vegetariano, de pura náusea. Fiquei anos sentindo aquele cheiro de hamburger no meu cabelo.)

Precificar os produtos era especialmente difícil, pois estávamos em uma das piores crises inflacionárias da história, os preços aumentavam todos os dias, os gibis e revistas eram vendidos com códigos ao invés de preços (C4, A9, etc) e as editoras mandavam motoboys cruzarem as as bancas da cidade uma ou duas vezes por dia pra trocar as tabelas de preços. De manhã, o C4 era um milhão de narjaras-turetas; à tarde, já estava um milhão e meio. Quem não viveu, nunca vai conseguir conceber. Eu nem lembro qual era a moeda.

Basicamente, a escola me consumia completamente. Além disso, eu ainda era editor do jornal brasileiro, que saía mensalmente e era 70% escrito por mim; participava da equipe de Knowledge Bowl, uma competição de conhecimento gerais com campeonatos por todo o continente; e também fazia parte do Model United Nations, um projeto em que escolas do mundo inteiro aprendiam os procedimentos da ONU e simulavam uma reunião da Assembléia Geral. Nossa escola seria o Kuwait, em um momento bastante delicado - logo após a Guerra do Golfo.

* * *

Nos meus dezoito anos, eu fazia fonoaudiologia duas vezes por semana. Sem isso, eu não teria conseguido conduzir as reuniões do grêmio. Eu era muito gago. Foi com a fonoaudióloga que aprendi todas as técnicas de oratória que possibilitaram que eu ganhasse a vida dando aulas até hoje.

Mais do que tudo, ela que me ensinou ioga e controle da respiração. Antes de cada reunião, eu sumia no backstage do auditório e ficava meia hora fazendo minhas posições de ioga, indisponível e incomunicável. Só quem sabia disso eram meus amigos mais próximos e minha equipe.

Com o tempo, surgiu até uma certa lenda. Afinal, onde estava o presidente do grêmio naquela última meia hora caótica antes da reunião semanal?

Ninguém acreditaria que aquele gordo elétrico estava deitado no chão fazendo a folha seca e respirando 3-6-9.

* * *

Nos meus dezoito anos, eu viajei pro exterior três vezes. Primeiro, a família foi esquiar na Áustria, depois atravessamos a Europa de carro até Paris e ainda visitamos as ilhas do Canal da Mancha. Foi a última viagem que meu pai, minha mãe, minha irmã e eu fizemos juntos.

Mais tarde, meu time de Knowledge Bowl foi representar o Rio de Janeiro em uma competição no Chile, onde ficamos em terceiro lugar.

E, por fim, novamente pela escola, fui para Haia, capital da Holanda e sede do tribunal-geral da ONU, onde eu e os outros integrantes da nossa delegação tentamos convencer os demais países que o Kuwait merecia todas as vantagens do mundo por ter ficado sob o controle do Saddam por alguns meses. Aproveitei pra dar um pulo na Alemanha e visitar minha irmã, que estava morando lá.

* * *

Quando eu tinha dezoito anos, eu parei um avião na pista.

Estávamos em Jersey, ilha do canal da mancha bem próxima a França, única área do Reino Unido a ser ocupada pelos nazistas. O museu da ocupação era bem interessante, mas como estávamos no inverno, ele só abria uma vez por semana, justamente no dia do nosso vôo pra fora da ilha. Combinei com a família que eu iria acordar cedo, ir pro museu e encontraria eles no aeroporto. Dito e feito. Chego no aeroporto e cadê a minha mala?! Todos estavam tão acostumados a levar cada um a sua que largaram a minha no hotel.

Naquela época, no inverno, a Jersey European Airways só voava uma vez por semana pra Paris, de onde sairia nosso vôo pro Brasil poucas horas depois. Resultado: não podíamos perder aquele avião de jeito nenhum. Enquanto meu pai correu pro hotel pra pegar minhas coisas, eu, que falava inglês melhor, fiquei no aeroporto com uma tarefa simples: fazer de tudo mas não deixar aquele teco-teco decolar. (Era um bimotor de uns quinze, vinte lugares)

Chorei, implorei, gesticulei, improvisei. Em plena pista. No maior frio. E os ingleses todos, passageiros e tripulação, desesperados pro vôo sair na hora. Mas consegui segurar o avião até meu pai chegar.

* * *

Nos meus dezoito anos, minha família desmilinguiu-se. Perdi meu cachorro querido, o Júnior, envenenado, minha mãe saiu de casa e foi morar num apart-hotel e minha irmã foi pra Alemanha. Subitamente, sobramos só eu e meu pai em um apartamento de 600m² na Barra.

Ganhei meu primeiro carro, um Santana 2000, automático, depois de ter desistido, por medo, de aprender a dirigir carro manual. Eu não tinha carteira (só fui tirar aos dezenove anos) e bati umas onze vezes naquele primeiro ano. O Zé (era o nome do carro) quase virou sucata. Mas como eu era o único da turma com carro, todo mundo ignorava os perigos e andava comigo pra cima e pra baixo. Nunca gastei tanta gasolina. Toda a noite eu cruzava a cidade, da Barra até a Urca, passando pelo Itanhangá, Gávea, Leblon, Ipanema e Botafogo.

Apesar de eu não beijar nem comer ninguém, minha vida social era agitada. O grupo era basicamente eu e minhas melhores amigas, mulheres lindas, fortes e inteligentes que amo até hoje. Ocasionalmente havia um outro homem, mas nem sempre.

Todo mundo tinha dinheiro (gastava-se muito), eu tinha carro, então saíamos por toda Zona Sul, pra jantar, dançar, ir ao cinema ou ao teatro, festas aqui e ali. Tomei os únicos porres da minha vida - depois, nunca mais bebi - e também foi o ano em que aprendi a fumar.

Os points que eu mais frequentava naquela época já não existem mais: Zepellin, na Niemeyer, o Mostarda e o Albericos, em Ipanema, Caneco 70, no Leblon. Ficar velho é isso.

Ano-Novo e o Carnaval eu passei na casa de Angra de uma dessas minhas grandes amigas.

* * *

Eu já lia muito, mas não tanto quanto hoje. Foi nesse ano que descobri The Lord of the Rings, naquela época, ainda desconhecido, e um dos meus livros preferidos até hoje. Lembro que também li os thrillers da moda daquele ano, Jurassic Park e The Firm, que passavam de mão em mão. Não me lembro de outros livros lidos por conta própria, mas na época eu lia muito gibi.

Aos meus dezoito anos, eu me viciei em Star Trek, assistindo reprises da série clássica na TV, em fitas de vídeo da Nova Geração e, sobretudo, nos pocket books. Naquela época, sempre que alguém ia para os EUA, gravava quantos episódios podia e trazia pro Brasil. As fitas circulavam por dezenas de pessoas, especialmente professores. Eu gostava mais dos pocket books, porque as histórias era mais elaborados que nos episódios. Cada um dos fãs tinha meia dúzia de livros e todos circulavam muito. Estávamos antes da Internet, lembram? Simplesmente, não havia como conseguir essas coisas de outro jeito.

Pra escola, eu estava cursando algumas aulas bem avançadas, como a aula de ONU, Teoria do Conhecimento (onde lemos Saussure, Kuhn e outros que não lembro) e, especialmente, literatura avançada. Essa aula era uma delícia e lemos muita coisa boa, como O Estrangeiro, Hamlet, Retrato do Artista Quando Jovem, A Metamorfose e outros.

Tinha acabado de escrever meu primeiro romance, aos dezessete, e não tive fôlego para mais nada no ano dos meus dezoito. Tentei uns contos mas, basicamente, o que mais fiz foi escrever o jornal da escola. O folhetim que mantive durante quatro anos ficou histórico e é lembrado até hoje: Marcados pelo Destino, as aventuras de uma mulher má que sempre aparecia descalça nas minhas ilustrações. Sim, eu já era doente.

Foi nesse ano também que eu reuni os meus melhores artigos do jornal da escola e mandei pra Revista Mad, mas só foram comprados no ano seguinte. Muitos dos artigos que vendi pra Mad surgiram no meu jornal da escola.

Eu não tinha computador, nem sabia usar. Naquela época, eu digitava em uma máquina de escrever eletrônica chamada Canon Typestar 7, que me serviu fielmente de 87 a 94 e cruzou quatro continentes. Procurei essa imagem pra mostrar pra vocês e me bateu uma puta saudade. Nem sei o que foi feito dela.

* * *

Tirei uma nota alta no SAT (teste padrão de conhecimentos) e comecei a ser bombardeado por junk mail de universidades americanas. Considerei algumas no sul, principalmente Tulane, mas a verdade é que eu não tinha a menor vontade de ir morar fora. Minha família não interferia nessa questão, mas, na escola, a pressão era enorme pra eu ir para os Estados Unidos.

Lá pelos meus quinze, dezesseis, o que eu mais queria era estudar Hotelaria e Culinária na Suiça - uma vontade que passou, ainda bem. Aos dezoito, eu não fazia nenhuma idéia. Sabia que seria algo como História ou Literatura, e que eu preferia ficar no Brasil. Só.

* * *

No resto do mundo, teve Olimpíada em Barcelona e eu caguei. Collor foi impeached e eu vibrei. Cairam duas aeronaves no mesmo dia, uma com o Ulysses e outra com o Arafat. O Ulysses nunca mais foi encontrado, mas o durão do Arafat foi encontrado andando sozinho pelo deserto alguns dias depois, único sobrevivente. Soube do assassinato da Daniela Perez quando estava na casa de uma amiga em Nogueira, na serra de Petrópolis, e fiquei chocado. Eu ouvia muito The Mamas & The Papas, Right Said Fred, REM, Fine Young Canibals e Queen. American Pie e Bohemian Raphsody eram as músicas que mais tocavam no meu carro.

Assisti Shadows & Fog, do Woody Allen, em um cineminha de Paris, antes mesmo dos americanos, pois ele estréia seus filmes primeiro na França, e é um dos meus filmes favoritos dele. Assisti The Last of the Mohicans em um cineminha de Haia e também se tornou um dos meus filmes favoritos, com um porém - não entendi metade do filme, pois quando os índios falavam em suas línguas nativas, as legendas eram em holandês.

* * *

Finalmente, aos meus dezoito anos, eu passei o maior susto da minha vida. Pela primeira e única vez, entrei em pânico, perdi o controle e agi sem pensar.

Ipanema, sexta-feira, treze de novembro, em frente à faculdade Cândido Mendes, indo assistir de novo Shadows & Fog. Elas entraram e fui estacionar o carro. Fiz merda. Bati no carro da frente. Fui tentar sair e bati no de trás. Fui tentar sair e bati no da frente e ele, por sua vez, bateu no carro que estava em sua frente. Cagada total.

As aulas da noite tinham acabado de acabar e todos os alunos da faculdade saíram do prédio para ver um gordo louco destruindo os carros de seus colegas e amigos. Rapidamente, fui cercado por uma horda de vândalos que começou a socar os vidros e balançar o carro. Saí correndo, mas tive que parar no sinal, 30 metros depois. Eles vieram atrás de mim e continuaram gritando, xingando, sacudindo o carro. O sinal abriu e acelerei.

Parei o carro e percebi o problema: meu pára-choque traseiro (com minha placa!) não estava mais lá. Mandei um amigo lá falar com o guardador e ele revelou que meu pára-choque ficou enganchado no pára-choque do Fusca que estava atrás de mim e um amigo dos donos de um dos carros batidos levou com ele. Fiquei semanas tenso, esperando um telefonema fatídico, mas ninguém nunca ligou.

Não sei o que foi feito do meu pára-choque. Nunca mais revi Shadows & Fog.

* * *

Completei dezoito anos em um barzinho delicioso, embalado por músicas da década de setenta, chamado The Londoner, na estação de esqui austríaca de Kitzbühel.

No meu aniversário de dezenove, passei a manhã na escola badalando com as amigas e não fui a nenhuma aula, saracoteei pela cidade com a Bel à tarde, e jantei com as amigas e a família à noite.

Não fiquei sozinho nem um só segundo. Nunca me senti tão amado. Foi um dos dias mais felizes da minha vida e final perfeito pros meus dezoito anos.

* * *

E vocês? Como foram os seus dezoito anos? Que tal fazer um post também?

Adendo

Escreveu o Permafrost:

Qdo eu tinha 18 anos era um perfeito idiota.

E, como acho que fica claro pelo post, eu também, eu também... E quem não era? Tem coisa mais medíocre do que já atingir todo seu potencial aos dezoito?

* * *

O melhor presente que você pode me dar no meu aniversário é se dar um dos meus livros:

viagens na terra dos outros – aforismos turísticos & expatriados, por alex castro Onde Perdemos Tudo - Contos, por Alex Castro

Liberal Libertário Libertino - Crônicas Mulher de Um Homem Só

* * *

Meus livros à venda. Se for comprar, pra fins de comissão, prefiro fortemente que compre pelo meu site. Também à venda na Amazon, no PapodeHomem e no site da Livraria da Travessa. Vá no Skoob e dê sua opinião.

Site pessoal: alexcastro.com.br // Siga no Twitter: http://twitter.com/AlexCastroLLL // Assine o RSS: http://alexcastro.com.br/feed/atom/ // Comunidade no Facebook e no Orkut // Entre em contato: alexcastro.com.br/contato

 

16.02.12


Categorias: Egotrip, Livros

das vantagens do kindle

jonathan israel escreve livros sensacionais sobre a história filosófica do iluminismo, um assunto que me interessa imensamente e sobre o qual já cometi um artigo que cita o professor israel em abundância (La Mettrie, Filósofo da Felicidade Individual).jonathan israel

seus principais livros são radical enlightenment ($36, 850 págs, 1,5kg) enlightenment contested ($53, 1024 págs, 1,6kg) e democratic enlightenment ($38, 1152 págs, 1,7kg). e, por fim, a revolution of the mind, que tenta resumir e sistematizar os outros três em apenas 300 págs para um público leigo.

agora, eles finalmente saíram em kindle.

o democratic enlightenment, por exemplo, sai por $38 em hardcover e $31 no kindle. mas no kindle, eu...

-- não pago o frete caríssimo;

-- poupo o planeta da energia que seria gasta trazendo esse livro pra cá;

-- não atulho o meu quitinete de 22m² com mais um tijolo de árvores mortas que vai acumular poeira, deixar cheiro e dar despesa na próxima mudança;

-- na hora de ler, vou segurar um aparelhinho de 170 gramas ao invés do tijolo de quase dois quilos que me afundaria o peito e cansaria as mãos;

-- e, além disso, tudo o que eu sublinhar no livro vai ser convertido em um txt que eu transfiro pro meu computador, me poupando do trabalho de redigitar tudo o que sublinhei para poder citar em artigos acadêmicos.

tem gente que reclama do preço dos ebooks. diz que se recusa a pagar o mesmo preço, ou mesmo um preço próximo ao preço do livro de papel.

mas digo pra vocês. eu namoro esses três tijolaços do israel há anos e nunca comprei justamente porque sentia preguiça só de me imaginar segurando esses livros.

na minha cabeça, dadas todas as desvantagens do livro físico e todas as vantagens do livro eletrônico, eu pagaria MAIS CARO pelos ebooks sem pestanejar.

já a única desvantagem que posso pensar nos ebooks não é nem concreta (haha) mas virtual: se compro os livros físicos, tenho uma relativa certeza que, tudo correndo bem, eu estando vivo ou morto, eles ainda estarão na minha estante, ou na estante de alguém, prontos para serem lidos e relidos em 2050. já em relação aos ebooks, tudo é possível. (quantos arquivos que você salvou na década de noventa ainda são "legíveis" hoje?)

* * *

a amazon agora está enviando o novo kindle touch pro brasil. eu já comprei o meu, e também um sony reader, por ser absurdamente melhor para ler pdfs.

se for comprar algum kindle, clique por aqui e ajude a manter esse blog.

[ http://rcm.amazon.com/e/cm?t=alexcastro-20

 

15.02.12


Categorias: Política, Livros, kindle

pra você, o que é o politicamente correto?

responda em uma frase, por favor. não em outros lugares (senão não vou ver) mas aqui nos comentários. muito obrigado.

(fiz a pergunta no facebook do papodehomem, os resultados estão horripilantes.)

 

14.02.12


Categorias: Cotidiano
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A Chuva de Meteoros na Lua

Trecho do conto A Morte do meu Cachorro, do livro Onde Perdemos Tudo:

Ironicamente, essa lição me ensinou a própria Fiona. Detalhes são irrelevantes. Basta dizer que eu me apaixonara pela namorada do meu irmão e, pior, era correspondido. Enquanto durou a crise, Fiona me deu seu apoio incondicional — ainda que discordando sempre da minha atitude — mas antes de sair em batalha pra defender meus erros, ela quis saber como aquilo tinha acontecido:

Foi um acidente, respondi, pra depois completar, no tom resignado de quem não tem o que dizer em sua defesa: Aconteceu.

Fiona se irritou:

Nada que acontece entre pessoas simplesmente acontece! explodiu ela: Nós somos complicados demais pra isso. Ou existe alguém fazendo acontecer ou alguém deixando que aconteça.

E finalizou, mais calma:

O que acontece é chuva de meteoros na lua.

* * *

O conto A Morte do meu Cachorro faz parte do meu livro Onde Perdemos Tudo, recém-publicado em caprichadíssima edição pela Oficina Raquel. São 5 contos, em 120 páginas, sobre o tema comum de perda.

Compre aqui.

Ou então compre a versão exclusiva para kindle, com dois contos bônus, inéditos e exclusivos.

onde perdemos tudo, de alex castro

 

14.02.12

racismo & normalidade

Racismo LLLfinalmente, a primeira adição de peso aos meus textos sobre racismo desde 2009. um texto longo, com muita reflexão, sobre racismo e normalidade. como ficou grande, dividi em três partes.

a primeira, sobre o privilégio de não ser negão, já está no ar, no papodehomem.

as outras partes serão publicadas de duas em duas semanas. a segunda parte vai ser sobre a cor dos personagens de anime, dos simpsons e da turma da mônica. a terceira, sobre o conceito de normalidade e seus filhotes, a psicanálise e o eugenismo.

espero que vocês gostem e comentem por lá.

o privilégio de não ser negão (racismo e normalidade – parte 1)

* * *Racismo LLL

(ah, a edição especial do The New Republic sobre desigualdade está imperdível, especialmente esse artigo: Race to the Bottom - How the recession hurled African Americans backward in time.)

leia meus textos sobre raça e racismo, em especial: a invisibilidade do racismo e o racismo não é um problema individual.

 

13.02.12


Categorias: Cotidiano, Política, Raça
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tanta gente falando tanta coisa sobre a whitney houston...

... e ninguém recordando o feito mais digno de nota de sua biografia: ter conquistado o coração de osama bin laden.

 

13.02.12


Categorias: Política

papodehomem, um site machista e reacionário

trabalho como editor no papodehomem. escrevo textos originais, edito textos de outros e, mais importante, faço a primeira triagem dos novos autores e os ajudo a calibrar e melhorar os textos que têm potencial.

muita gente vem me dizer que o site é machista e reacionário. para isso, citam trocentos textos realmente machistas e reacionários que não vou nem mencionar.

respondo que sim, realmente publicamos esses textos. nosso objetivo é cobrir um amplo espectro de temas, sem nunca patrulhar as opiniões dos outros.

meu trabalho como editor é melhorar o texto para que ele diga aquilo que se propõe a dizer; e não ficar ensinando ao autor qual deve ser a sua opinião. ou pior, só publicar textos que concordem comigo! (para isso, eu tenho blog.)

então, quando o povo vem dizer que o site é machista e reacionário, e já chegam com uma lista de posts machistas e reacionários que comprovam isso, eu gosto de propor uma contralista, comprovando que o site é feminista e liberal, progressista e poliamoroso.

question everything

* * *

a contralista: papodehomem, um site progressista e feminista

Estupro: o que é, como não fazer

7 mitos machistas que eu e você reproduzimos

O problema com o movimento anti-corrupção

O que é a USP

Quantas pessoas você ama?

O valor das coisas e das pessoas

Conselhos a um machista em redenção

E se a sua mulher engordasse?

Quem manda nessa bunda

A menina sonhadora feliz cabeça-de-vento

SlutWalk: marcha das vagabundas e o feminismo-gracinha

A hora certa de revelar seu relacionamento aberto

O machismo não é um problema individual

eu poderia continuar ad eternum.

why?

* * *

o objetivo da minha lista não é negar a outra mas se somar a ela, provando que o site não é nem só isso, nem só aquilo, mas tudo, ao mesmo tempo, de uma vez só.

amanhã, domingo, tem texto meu sobre a beleza das mulheres com pêlos e, na segunda, começa uma série minha, em três partes, sobre racismo e normalidade.

* * *

Por fim, uma tentativa de auto-definição: O que é o PapodeHomem?

 

11.02.12


Categorias: Política, Sexo

meus livros à venda no papodehomem

meus livros mulher de um homem só e liberal libertário libertino, versões impressas, livros físicos mesmo, estão à venda no papodehomem por vinte reais cada.

vão lá ver o que estão falando deles: um livro para sua mulher, outro para você

(ps: se comprarem cem reais em produtos na lojinha do papodehomem, o frete é grátis)

 

10.02.12

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a morte do meu cachorro, conto

Email que acabei de receber sobre meu conto A Morte do Meu Cachorro:

Mês passado estive em Buenos Aires, daí vejo a placa "Callao" e imediatamente me lembro do diálogo, do conto, a garota corrigindo a pronúncia de "Callao". Fiquei ali imaginando em qual daqueles cafés eles teriam se sentado. Acabei de reler o conto, gosto muito desse conto... ele me dá um certo desconforto, mas ao mesmo tempo é uma coisa boa, bonita.

Onde Perdemos Tudo - Contos, por Alex CastroA Morte do Meu Cachorro faz parte do meu livro de contos Onde Perdemos Tudo.

Uma caminhada pelas ruas de Buenos Aires revela questões sobre amizade homem e mulher, as armadilhas da memória e as dores do começo da idade adulta.

Considero a melhor coisa que já escrevi. Sobre esse conto, eis o que disse o escritor Miguel Sanches Neto:

O conto mais bem realizado ... é o primeiro "A morte de meu cachorro". História de um momento em que um casal se separa, e cada um vai cuidar de sua vida. A velhice e a solidão são atingidas quando o narrador não é reconhecido por uma alma gêmea, obrigando-se a conviver com experiências que não são mais plenamente compartilháveis. Esse esvaziamento se dá num cenário que deveria ser palco de um reencontro. A amiga muda-se para Buenos Aires, o narrador segue para visitá-la, tentando vencer a distância espacial, que cumpre seu papel: "Lendo cada um sua seção do Clarín, Fiona e eu padecíamos de um silêncio ainda mais cancerígeno [sic]: o silêncio de quem tem muito a dizer, mas prefere calar; o silêncio da conveniência. Pra que discutir? Emudecer poupa dores-de-cabeça, explicações, embaraços. Sobra o nada". Esta elevação do silêncio a uma categoria cancerígena revela a forma dramática de representar alguns episódios. O conto não segue um fluxo narrativo contínuo, trabalha com flash-back e janelas, que são abertas para esclare cer coisas ou resumir passagens.

E na opinião do escritor Furio Lonza:

[A Morte do Meu Cachorro] é brilhante. Narração de primeira linha. É um blues na temática (pois todo blues conta a história de uma perda) e abarrocado na sua forma, com as codas lambendo delicadamente cada parágrafo, a espasmos, acrescentando informações e apagando outras, vai pra frente & pra trás com uma desenvoltura de gente grande. São lambidas de gato, portanto. O tema da perda de uma amizade, aliás, se não me engano, é novo na literatura brasileira (não me lembro de outro). O estilo é maduro, adulto, sem que o distanciamento interfira no mergulho. Ele estraçalha o sentimento, vai fundo, tem Machado na parada, no sentido de esmiuçar até a exaustão cada milímetro da situação. (...) Intocável, perfeito.

Sobre o livro, disse a divina Fal

que é uma das coisas mais lindas que eu já li na vida, assim, em todos os tempos.

Agora é a sua vez. Leia esse trecho e me diga:

Só a teimosia ainda me impele: presumir que eu seria capaz de escrever sobre Fiona foi uma temeridade, um desvario de velho carente. Não ando mais pelo Largo da Carioca; da próxima vez, faço um desvio pela Sete de Setembro.

Fiquei sem graça sim, é verdade - talvez a única verdade dita até agora. Houve um quinto sorriso, tão completo e tão sincero quanto o anterior. Sorriso também de corpo inteiro e todo meu. A história então, sob escrutínio, se esfacela:

Fiona me dá um aperto de mão mais caloroso, me fita com seus olhos incandescentes e sorri, fogosa:

- É muito bom mesmo você estar aqui comigo! - Estoura ela.

O sorriso, entretanto, não morre. Não, meus amigos, o sorriso continua lá. Gostaria de poder afirmar que ele permanecia congelado em seu rosto, mas naquele momento não havia nada congelado em Fiona: ela estava em ebulição, faiscando. Sejamos sinceros: seu corpo inteiro sorria pra mim.

Quem não suportou o calor fui eu: fracassei em gerir tamanho sorriso e cedi ante a pressão do seu carinho. Fiona me derrubou com uma erupção de amor.

Percebo agora o quão piedosa era a minha falecida versão conveniente dos fatos: eu não sabia o que fazer, não sabia em que buraco me enfiar. De que maneira poderia me defender daquela salva maciça de paixão sendo arremetida contra mim? O tal sorriso de corpo inteiro - há pouco desejado - era um fardo incômodo do qual eu precisava me livrar. Sem meios de corresponder aos sentimentos que Fiona disparava, eu ia fraquejando sob sua força.

Desse modo, e muito à revelia, preencho a lacuna do café-da-manhã: eu peguei o Clarín, eu comecei a ler, eu puxei o primeiro cigarro. Pobre Fiona, inocente ao menos dessas acusações, só fez tirar o jornal de seu colo e depositá-lo sobre a mesa. Vagarosamente, com mãos de relojoeiro.

O Clarín seria minha salvação, decidi, aliviado, e peguei um caderno qualquer do jornal. E enquanto eu abria as folhas, bloqueando minha visão de Fiona, tive um último relance de seu rosto. Ela sorria. Ainda.

Inexpugnável em meu refúgio de papel, não sei por mais quanto tempo Fiona sorriu. Por fim, deve ter desistido: afirmou um suspiro, acendeu um cigarro e escolheu uma parte do jornal pra ler. As facturas e os cortaditos, quando vieram, foram consumidos em silêncio.

* * *

 

10.02.12

a surdez do meu avô, conto

trecho:

Era meu primeiro enterro.

O velório tinha durado a noite inteira, e agora, se preparavam para levar o caixão.

Novamente meu pai me abraçou:

— Vovó está em um lugar melhor, ela foi para o céu. — Disse ele, tentando convencer mais a si mesmo do que a mim.

Ele era o único triste ali, com grandes olheiras da madrugada mal-dormida. Acabou me largando depois de um abraço apertado, e achegou-se da mãe morta.

Não havia muita gente na sala. Meu avô, no fundo, procurava conforto nos braços da melhor amiga de minha avó. Os dois, chocados pela morte súbita, se adaptavam à situação trocando afagos. Vovó, pálida e de expressão severa, tinha os olhos fechados a tudo; morreu nova, pouco menos de cinquenta.

Papai pegou em uma das alças do caixão, fazendo com que meu avô se desvencilhasse de sua acompanhante. Era uma senhora bem mais bonita que vovó.

Fui para perto de minha mãe e me segurei nela. Eu tinha oito anos e tudo era novo para mim; só conhecia enterros pela televisão. Seguimos o cortejo até o mausoléu da família.

Fez-se baixar o caixão, rezas foram ditas, poucas lágrimas escorridas. Antes que o grupo se dispersasse porém, meu avô chamou a todos:

— Por favor, um instante. — Ele disse, tirando o aparelho de surdez que usara por toda a vida, para depois exclamar, feliz como eu nunca o tinha visto:

— Eu não sou mais surdo!

* * *

o conto "a surdez do meu avô" é um de dois contos bônus, exclusivos e inéditos, que você só pode ler na versão kindle de onde perdemos tudo.

compre.

onde perdemos tudo, de alex castro

 

09.02.12

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agradecimentos

eu tento viver minha vida de modo digno, honesto, ético. sou às vezes brusco mas tento ouvir todo mundo, ter empatia com os sentimentos dos outros. falho em 90% das vezes mas continuo tentando. de qualquer modo, eu só queria dizer o seguinte. alguma coisa de muito certo eu devo ter feito. porque basta eu encontrar a mínima dificuldade na minha vida para ser soterrado pela ajuda de amigos e parentes. por pessoas de quem eu às vezes não tinha direito de esperar nada. eu me acho um cara sozinho, que tenta ficar sempre na dele, não incomodar, sumir. mas nunca me sinto tão acompanhado como quando dou de cara com a parede e preciso de uma mão para levantar. vocês, meus amigos e parentes, são todos lindos e eu me sinto muito honrado de ter vocês na minha vida. nas horas mortas da madrugada, o fato de vocês gostarem de mim e me ajudarem tanto é a minha maior evidência de que, talvez, quem sabe, eu valha de fato alguma coisa.

 

08.02.12


Categorias: Egotrip

esses homens bonitos e suas esposas que engordam

hoje, lá no papodehomem, textículo meu sobre um grave problema do mundo de hoje:

e se a sua mulher engordasse?

e se a sua mulher engordasse?

 

08.02.12


Categorias: Relacionamentos, Sexo

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