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Depois dos eventos de lançamento que fizemos na FNAC do Chiado e do Colombo e da sessão de autógrafos da FNAC do Norteshopping, chegou a altura de fazer uma festa digna desse nome para celebrar o lançamento do segundo livro da Caderneta de Cromos, Cadeneta de Cromos Contra-Ataca. Porque por um lado, em ano de crise, é a modos que imoral fazer uma festa armada ao VIP num qualquer local "in" e, por outro, porque isto é a Caderneta de Cromos, achámos que fazia todo o sentido fazer um simbólico regresso à s origens e a tempos mais simples e divertidos. Convencemos a simpática direcção da Escola Secundária José Gomes Ferreira, a minha velha (mas bem conservada) escola, a abrir as suas portas no próximo sábado, 22 de Outubro, pelas 21h30 para que, à maneira antiga, usássemos o lendário anfiteatro para fazer o baile de finalistas definitivo, na boa tradição das festas de Natal e Fim de Ano da era croma. Vamos lá estar - o Pedro Ribeiro, a Vanda Miranda, o Vasco Palmeirim, a PatrÃcia Furtado e este que se assina - mais o Júlio Isidro, prefaciador do livro e figura tutelar do universo cromo, para uma vibrante celebração de todas as coisas cromas para a qual todos estão convidados. A entrada é livre e de Capri-Sonne a Porto Sandeman, passando por Toffee Crisps, haverá muito para degustar.
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Mas a parte mais interessante é esta: quem aparecer com uma imaginativa indumentária vintage, a la anos 70-80, pode participar num desfile de moda retro cujo vencedor pode ganhar uma lembrança croma. Portanto, desenterrem enchumaços (ou chumaços? As opiniões dividem-se), blazers brancos à Miami Vice, perneiras ou aquelas coisas que a Olivia Newton John e o Mark Knopfler usavam na cabeça e que a malta da aeróbica tinha por hábito envergar. Tentem entrar na roupa antiga, redescubram o belo anorak ou kispo da velha guarda e surpreendam-nos.
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E sim, ganhem a possibilidade de fazer parte do mais épico Corredor da Morte jamais feito na Secundária de Benfica. E que, num acto de coragem ou de pura e simples loucura, eu irei atravessar de uma ponta a outra, até chegar ao palco, correndo o risco de ficar sem óculos e sem pescoço.
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Sábado, 22/10, 21h30. Escola Secundária de Benfica (que era como se chamava antigamente; agora é Escola Secundária José Gomes Ferreira). Querem ter uma ideia de onde é que fica? Estão a ver o Centro Comercial Fonte Nova? O Restaurante Califa? É ali na zona.
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Na passada 6ª feira, no evento de lançamento do livro Caderneta de Cromos Contra-Ataca, quem lá esteve levou de rajada com um punhado de revelações que, já agora, quero partilhar com a restante comunidade, porque me parecem de extremo interesse (não interesse no sentido "coisas que podem mudar o mundo"; mas interessezinho, vá):
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- A grandiosa festa do livro Caderneta de Cromos Contra-Ataca em Lisboa vai ser não numa qualquer discoteca da moda, mas num local realmente relevante do universo da Caderneta; um lugar de lendas onde se passa boa parte da acção descrita nos cromos que, todas as manhãs, faço na Comercial: a minha escola secundária, a Escola Secundária de Benfica - hoje Escola Secundária José Gomes Ferreira. A coisa está marcada para 22 de Outubro, mas a seu tempo darei mais pormenores. Sim, vamos para o anfiteatro da escola, onde se faziam as grandes festas de Natal, fim de ano, etc. E vai haver hora de slows e tudo, evidentemente.
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- A não menos grandiosa festa do livro no Porto vai ser num lugar lendário por outras razões: as simpáticas pessoas do Porto Sandeman, inspiradas pelo cromo sobre o misterioso homem de chapéu Sandeman que me aterrorizava na infância, cederam amavelmente as suas mÃticas caves para fazermos a nossa festa croma nortenha. É provável que aconteça o momento em que, por fim, defronto o Homem Sandeman! Mais informações em breve.
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- Por fim, se no ano passado nos aliámos à lendária Majora para criar um objecto moderno com ares de objecto antigo - O Jogo da Glória da Caderneta de Cromos - em 2012 vamos aliar-nos à Maia & Borges para criar as figuras de PVC da Caderneta de Cromos, cujo design será da PatrÃcia Furtado, para que sejam fiéis à s ilustrações dela. É o tipo de merchandising que fazemos não pelo lucro - hoje em dia, a não ser que se tenha a licença do Harry Potter, não se fazem bonecos para enriquecer - mas pelo gozo que representa mais este encontro com uma fábrica clássica da nossa infância (eram eles que produziam todos os bonecos das séries TV e BD, como os Estrumpfes, o Dartacão, etc.).
(Avisa-se desde já que este post tem uma ou outra palavra puxadota. Petizada, ide brincar, que isto é para adultos.)
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Querido filho da puta que vandalizou o Snoopy que eu e a Ana pintámos para a Snoopy Parade da UNICEF,
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Suponho que, por esta altura, estejas na pacatez do teu lar, com a satisfação vazia, barata mas - acredito - temporariamente compensadora de quem vazou os seus testÃculos de ódio para cima da nossa obra, sob a forma de uma lata de tinta branca. Como autores do Snoopy azul denominado O Céu dos Cães, é evidente que temos pena - dedicámos horas da nossa vida para decorar aquele boneco, embora ninguém nos tire o gozo que tamanha operação nos deu (e que, a não ser que tenhas uma máquina do tempo, querido filho da puta, não é natural que consigas estragar da mesma forma que agora estragaste o resultado final).
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O que realmente me lixa é que, com um simples gesto de destruição, não nos afectaste a nós, querido filho da puta, mas algo infinitamente maior. A razão porque nós e os outros participantes nesta iniciativa pintámos os Snoopys, é porque, após a Snoopy Parade, eles destinam-se a ser leiloados, revertendo o dinheiro do leilão, integralmente, para a obra da UNICEF em Ãfrica. É provável que, agora, ninguém esteja particularmente interessado em pagar o que quer que seja - apesar da boa causa - para ficar com um Snoopy arruinado. Logo, a lata de tinta branca que compraste para, com todo o ódio, dar cabo do nosso Snoopy, é, provavelmente, a mais cara lata de tinta branca dos últimos tempos.
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Tenho pena que o nosso Snoopy tenha conhecido este fim triste, mas, querido filho da puta, ainda podes fazer uma coisa para te limpares (já que o Snoopy penso que será impossÃvel de limpar). O mÃnimo que podes fazer é uma transferência bancária para a UNICEF no valor da lata de tinta que usaste para destruir o nosso trabalho. Não precisas de dizer a ninguém que o fizeste (também me parece que um tipo que compra uma lata de tinta para arruinar um Snoopy de madrugada é capaz de não ter ninguém a quem dizer o que quer que seja). Mas, em nome de um miserável e Ãnfimo pingo de decência que ainda haja no meio do teu entulho interior, faz isso.
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Quanto ao teu ódio por nós, não nos podÃamos estar mais nas tintas - ha! - para ele.
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Um forte abraço, meu grande cabrão.
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Nuno Markl
Hoje chegou-me à s mãos, acabado de sair da gráfica, o novo livro, Caderneta de Cromos Contra-Ataca. É a sequela de Caderneta de Cromos, o segundo volume da versão papel + ilustrações (como sempre brilhantes, cortesia da PatrÃcia Furtado) da rubrica que faço com o Pedro Ribeiro, a Vanda Miranda e o Vasco Palmeirim na Rádio Comercial.
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Estou feliz com o resultado, como fiquei feliz com o primeiro livro e com a maneira como a rubrica toca, diariamente, o coração e o - olhem agora que pretensioso - funny bone de tanta gente. Quando decidi abraçar esta espécie de missão em Novembro de 2009 (dia 23 desse mês, nesse ano, foi para o ar o Cromo nº1), fi-lo porque queria que alguém já tivesse feito isto para eu ouvir. Como ninguém se chegou à frente, fiz eu: a ideia era reunir os pedaços dispersos, entre a memória e os baús dos sotãos, dos nossos anos de crescimento. Acho que hoje, mais de 700 edições passadas, posso dizer que já vamos tendo uma enciclopédia jeitosa, criada por mim e pelos incansáveis ouvintes das Manhãs da Comercial, que são cada vez mais e melhores.
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O novo livro, Caderneta de Cromos Contra-Ataca, tem algumas inovações em relação ao primeiro - como as páginas finais em que abrimos o baú dos cromos pessoais da equipa do programa e em que descobrimos pérolas como fotografias embaraçosas / queriduchas; cartões escolares; e uma certa página de um certo diário de uma certa Vanda Miranda. Analisada com o detalhe que merece. E é claro que volta a haver uma cornucópia de cromos seleccionados entre os melhores / mais emblemáticos da rubrica, todos eles ilustrados pela PatrÃcia. E um prefácio de um dos homens que, podemos dizê-lo, fundou a rádio moderna nos gloriosos primeiros tempos do FM da Rádio Comercial: Júlio Isidro, que assim continua uma colaboração connosco que vem já da Caderneta de Cromos ao Vivo no Coliseu de Lisboa, onde fez um inesquecÃvel one man show. Uma honra tê-lo a bordo desta nossa maquineta do tempo.
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Até dia 23 decorrem duas pré-vendas, uma nas lojas FNAC, outra nas lojas Sonae (Continente, Book.it, Worten).
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A da FNAC é assim:
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Convém sublinhar que o pacote com os 100 cromos autocolantes continuará disponÃvel depois da pré-venda FNAC; deixam é de ser grátis, a partir de dia 23.
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A pré-venda das lojas Continente, Book.it e Worten é assim:
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Porque isto é, de facto, um brinquedo novo. Literalmente! A Carla Megre, do Departamento Criativo da Majora, mandou-me estas emocionantes fotografias que mostram como ainda há um lado artesanal e manual nessa verdadeira oficina do Pai Natal que é a mÃtica empresa de jogos, a mais importante da nossa infância. Eis o Jogo da Glória da Caderneta de Cromos a ser embalado, o último passo antes de partir para as lojas.
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IncrÃvel perceber que os pequenos Markls, Pedros, Vandas, Vascos, Samanthas Foxes e Kims Wildes são pacientemente montados à mão, um por um, nas bases de plástico! Vénias para os trabalhadores da Majora. Não me canso de dizer como é uma honra e um orgulho trabalhar com tão nobre empresa nacional. O Jogo da Glória da Caderneta de Cromos estará em breve pelas lojas de todo o paÃs; para já, está em pré-venda exclusiva na FNAC, aqui.
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Não se pode dizer que eu seja um tipo de Azar. Com A maÃsculo. Tenho uma famÃlia que amo, tenho a profissão que sempre sonhei ter e vivo dela, não tenho razão de queixa da minha vida - é razoavelmente abençoada. Agora, tenho é azar. Com A pequeno, como os chihuahuas. Que é um cão minúsculo mas implicativo - e esse tipo de azar implicativo, isso tenho com fartura. E, de certa forma, ainda bem - é este tipo de coisa que acaba transformada em material de comédia embora, enquanto está a ser vivido, seja incrivelmente maçador. Mas é admirável, a qualidade da pequena chatice em que me meto. É admirável, porque é como que uma delicada filigrana de merda - situações que parecem cuidadosa, delicada e detalhadamente criadas para me chatear, completas com cereja no topo.
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Veja-se o que sucedeu hoje. De manhã, um clássico: não encontro a chave de casa em lado nenhum. Apertado de tempo, não vejo outra alternativa senão usar a chave da Ana para abrir o único portão que temos - que é automático e lento, o que deve ser emocionante em caso de incêndio - e depois atirar a chave sobre o muro para que a Ana possa ficar com ela e sair de casa.
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Vou à minha vida.
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No caminho, decido enviar uma SMS à Ana dizendo-lhe que não se inquiete por não ver a chave dentro de casa. Explico que não encontrei a minha e que usei a dela para sair, tendo atirado a dita para o quintal.
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A mensagem dá erro. E outro erro. E outro. E outro.
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Tento fazer uma chamada e sou brindado com a doce voz gravada de uma senhora que me diz que até regularizar a minha situação de pagamento em falta, estou impedido de fazer chamadas ou enviar SMS. "Belo", penso eu, imaginando a Ana, atrasadÃssima para sair de casa, procurando a chave por todos os lugares óbvios excepto onde ela está - caÃda algures na relva, perto do portão.
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Felizmente, está ali o Nuno Santos, motorista da Rádio Comercial e o homem que todas as manhãs me leva à rádio - não num esquema de mordomia, calma; é que ele mora ao pé de mim e vai para a rádio à mesma hora, por isso é uma feliz coincidência. Uso o telemóvel dele para ligar para a Ana e resolvo esse primeiro obstáculo do meu dia.
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No fim de um longo dia de trabalho - que incluiu uma gravação especialmente tardia do ShoWMarkl e em que tive de estar nu com um balde na cabeça - regresso a casa, aproveitando uma agradável boleia do meu bom amigo Pedro Ribeiro, que mora na minha zona e foi convidado do programa. Na recta final da viagem liga-me o Bruno Nogueira, que tem um iPad novinho em folha e está a explorar as suas potencialidades com a alegria de uma criança com um brinquedo novo.
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Mal imagino eu que Nogueira será o meu anjo da guarda numa situação notável de acumulação de fezes.
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À porta de casa, digo a Bruno: "Dá-me só um instante para abrir o portão."
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Recordo-me: não trouxe chave.
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Digo a Bruno: "Dá-me só um instante para tocar à campainha."
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Recordo-me: a campainha está avariada há semanas, tocando só quando lhe apetece. Evidentemente que, nesta situação, seria bom demais se tocasse.
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Começa a chover.
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Digo a Bruno: "Deixa-me só ligar à Ana para que ela me abra a porta e já falamos."
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Recordo-me: estou impedido de fazer chamadas e enviar SMS até regularizar a situação.
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Chove de forma consistente. Não há uma única zona na minha rua onde me possa abrigar.
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Digo a Bruno: "Bruno, faz-me um favor: liga à Ana para que ela me abra a porta."
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O Bruno desliga.
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Recordo-me: a minha conta e a da Ana são em pacote e ela também não pode fazer chamadas devido à conta por pagar. Pode recebê-las mas...
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Recordo-me: ela disse-me que ia sair de casa para ir à Optimus regularizar a situação.
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Recordo-me: ela disse-me também que hoje estava sem telemóvel; não o usou por não poder fazer chamadas.
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O Bruno liga-me de volta: "A Ana não me atende o telefone."
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Chove com mais força.
Digo a Bruno: "Vou abrigar-me debaixo de uma ponte que há ali à frente e pensar o que fazer."
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Tão perto de casa e no entanto, tão longe.
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Diz o Bruno, rindo alarvemente: "Então e se saltasses o muro?"
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Para aceder ao meu muro - defendido por uma valente e alta chapa de ferro - preciso de escalar o portão da vizinha. Se alguém me vê, de blusão preto com capuz a escalar um portão alheio, temos sarilho.
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Opto por albergar-me sob a finÃssima ponte de peões. Chove-me em cima na mesma.
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Recordo-me: a ama do Pedro está em casa.
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Digo a Bruno: "Vou dar-te o número de telefone da Mariana, a nossa ama búlgara." Friso: "O sotaque dela é porque é búlgara."
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Não sei por que raio preciso de dar esta dica ao Bruno. Ele diz que vai ligar-lhe de outro telefone e eu ouço a conversa.
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"Está? Mariana? Olhe, daqui fala um amigo do Markl. Ele não consegue entrar e está aà fora, à porta. Nu."
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Tinha de acrescentar uma gracinha, raça do gafanhoto. Ser amigo de humoristas é uma coisa muito cansativa.
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Chove-me em cima.
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A chamada termina, o Bruno volta a falar-me, no tom confortável de quem está no aconchego do lar a brincar com o seu iPad enquanto lá fora chove e outras pessoas estão há cerca de 20 minutos impedidas de entrar na sua própria casa: "Markl, ela respondeu 'tá bem, tá bem', mas não percebi se não era um 'tá bem, tá bem' sarcástico, de quem acha que está a ser gozada e não vai fazer nada."
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Digo a Bruno: "Disseste 'Markl' e ela não me conhece por esse nome. Devias ter dito 'Nuno'. Ela não sabe quem é o 'Markl'. Ela julga que foi uma chamada de engano."
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E, de facto, o portão mantém-se fechado. E a chuva continua a cair-me em cima.
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E eu encharcado, no meio da rua. Na mão, apenas uma caixa com a 1ª temporada de Glee, que me foi oferecida hoje e que é o tipo de objecto que pode valer que alguém, num carro que passe, grite "MARICONÇO!".
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Por fim, a porta abre-se. Nogueira salvara-me. A Mariana não percebeu bem o que se passava mas, destemida, resolveu arriscar e abrir o portão, correndo o risco de encontrar um Markl nu, fosse lá o que isso fosse. Vejo-a à porta, com o meu filho ao colo e penso, aliviado: "Estou em casa."
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Explico a Bruno o que se passa, quase de lágrimas nos olhos.
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Noto uma ligeirÃssima frustração na voz de Bruno - penso que, por ele, isto podia ter continuado noite fora.
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Eu e milady Galvão tivemos hoje tempo para levar a cabo um dos nossos passatempos favoritos: explorar lojas chinesas. Descobrimos uma, aqui pela nossa zona, onde pudemos colmatar uma terrÃvel falha do Natal do ano passado: não tivemos uma estrela decente no nosso pinheiro. Hoje foi só entrar nessa verdadeira Lapónia de plásticos que é uma loja chinesa e, por 3 euros e meio, depressa adquirimos um espécime vermelho cintilante de altÃssimo gabarito, o tipo de coisa que, no Natal, ornamenta uma árvore e que, no resto do ano, pode perfeitamente fazer parte da indumentária de um transformista, caso eu veja necessidade em abraçar essa profissão num 2011 de crise.
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Arrumada a questão da estrela da árvore de Natal, entregámo-nos ao doce prazer de explorar os fascinantes corredores de mais um destes templos onde Budas se cruzam com Badedas. E descobrimos aquela que nos pareceu, unanimemente, a invenção do século - provavelmente, do milénio. Ou talvez a maior invenção desde a roda:
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Melhor invenção de sempre, melhor caixa de sempre, melhor fotografia de sempre - meu Deus, há tanto para amar no produto Cobertor Mágico (as únicas palavras da caixa que fazem, mais ou menos, sentido) que nem sei por onde começar.
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Ah, o talentoso e valente tradutor do Google!... Mas com estas palavras ainda percebemos a ideia desta obra-prima que pode ser apelidada de Mantinha de Fim-de-Semana Chuvoso 2.0. O pior é quando procuramos, na caixa, uma descrição mais desenvolvida do objecto, para ficarmos realmente convencidos de que é o que precisamos em temporada natalÃcia, quando, aos domingos à tarde, sentimos necessidade de nos enrolarmos em algo quente para assistir a um filme envolvendo animais.
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Sem dúvida que a minha passagem favorita, de tão queriducha, é "mantem-no morno da cabeça ao dedo do pé". Aquele singular, em "dedo do pé", mata-me. E mata-me também a fofura familiar das fotos laterais da caixa: este produto chega para transformar as famÃlias portuguesas em clãs de Chewbaccas. No que toca aos casais, perde-se a comunhão romântica da manta única para dois, mas ganha-se toda uma nova espécie de sex appeal.
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O texto parece o tipo de coisa que um psicopata iletrado escreveria numa folha de papel usando letras recortadas de várias publicações e que depois seria analisada pela polÃcia como código para explicar onde está o próximo cadáver.
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A loja em questão não quer que falte nada ao consumidor - e havia um Cobertor Mágico para demonstração, fora da caixa, ali ao pé.
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E é isto o amor, para quem não saiba, amigos: olhar para a nossa mulher com os braços enfiados num Cobertor Mágico e não só continuar a achá-la sexy, como também suficientemente repleta de glamour para dar por mim a lamentar que não tenhamos descoberto isto há um ano, aquando da Hollywoodesca estreia do filme A Bela e o Paparazzo: o brilharete que ela ia fazer com este Cobertor Mágico! E eu, olhando para ela, sorriria e pensaria para comigo, embevecido: "Esta wife com Fleece totaliza comfort e beleza."
Parece que ainda foi ontem. Mas a verdade é que a Caderneta de Cromos está a caminho do primeiro aniversário - e andamos a magicar umas comemorações com a sua laracha para dia 23 de Novembro. Para os fãs da Caderneta que foram ao Coliseu de Lisboa, tenho uma mini-prenda antecipada - um singelo making of da rábula de abertura da Caderneta de Cromos ao Vivo. A todos os que vão ver o espectáculo no Porto, no próximo dia 27, aconselho que vejam isto só depois do show.
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Uma coisa é certa: o ano um da rubrica é festejado com o lançamento de um pedaço bastante retro de merchandising a que chamámos A Minha Agenda da Caderneta de Cromos, em sentida homenagem à lendária A Minha Agenda RTP, que toda a gente, em determinada altura da sua infância, achou essencial possuir. Como eu nunca tive tal coisa, criei uma! Criei-a com a PatrÃcia Furtado e a editora Objectiva - uma útil agenda que, sim, é mesmo a sério, apesar de estar artilhada de pequenos pedaços do universo da Caderneta de Cromos, ornamentando as suas intemporais páginas. Intemporais, porque esta agenda pode ser usada em qualquer ano - não apenas 2011. Se vos apetecer usá-la só em 2012 ou, se não acreditarem na profecia inca do fim do mundo e se arriscarem guardá-la para 2037, ela continuará válida. Eis a capa:
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E para quem tem curiosidade para saber como é ela por dentro, aqui está um pedaço de uma das suas páginas, com o tipo de dica e informação preciosa e útil que se espera de uma agenda de prestÃgio:
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A agenda é mais um rico trabalho gráfico da PatrÃcia Furtado e, para além da sua natureza de agenda pura e dura, é uma espécie de expansão do universo do livro da Caderneta de Cromos. Ou, para ser pretensioso, uma, vá, companion piece. Chiça. O preço é catita - 8 euros e meio. A data de lançamento é o dia do 1º aniversário da rubrica - 23 de Novembro. Ou seja, terça-feira que vem.
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Alguns dias mais tarde, outra peça fundamental do universo da Caderneta é lançada. É, provavelmente, a peça de merchandising mais egoÃsta da História: mesmo que ninguém compre, já ninguém me tira a honra gigantesca de ter co-concebido (isto parece gaguez, mas não é) um jogo com a mais mÃtica empresa portuguesa de brinquedos e jogos - a mui adorada Majora. De novo com as ilustrações da PatrÃcia, criámos uma espécie de reinvenção do clássico Jogo da Glória a que chamámos... bom, Jogo da Glória da Caderneta de Cromos. Tem o espÃrito do jogo clássico, mas a Majora deu-nos toda a liberdade para reescrever e tornar mais delirantes, competitivas e até fÃsicas, as regras desse sucesso perene da empresa. O resultado é mesmo uma fusão inédita entre o espÃrito tradicional de um jogo de tabuleiro e o espÃrito, hum, coiso, da rubrica da Rádio Comercial.
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Aqui, o momento em que eu e a Vanda Miranda apalpámos, emocionados, pela primeira vez, a caixa do jogo, na reunião que tivemos na terça-feira com o Pedro Oliveira, da Majora, para ultimar os detalhes. A maior emoção foi ver o clássico logotipo da Majora na tampa de um jogo baseado numa rubrica minha!
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(Esclarecendo todas as dúvidas que esta foto suscitou entre os seguidores da Caderneta no Facebook: esta foto foi tirada na sala de reuniões das Produções FictÃcias e o cartaz lá atrás é de uma peça de teatro chamada Conspiração (e não apenas Piração), escrita pelo Nuno Artur Silva.)
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Tal como aconteceu com o livro da Caderneta de Cromos, a FNAC associou-se à Objectiva e à Majora para fazer pré-vendas destes dois novos artefactos do planeta Caderneta. Mais tarde eles estarão disponÃveis em todo o lado, mas neste momento já há uma página da loja online da FNAC onde está reunido todo o universo cromo e onde pode ser feita a pré-encomenda da agenda e do jogo. Está tudo aqui.
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